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segunda-feira, 4 de janeiro de 2010


Canção na plenitude
Não tenho mais os olhos de menina 
nem corpo adolescente, e a pele 
translúcida há muito se manchou. 
Há rugas onde havia sedas, sou uma estrutura 
agrandada pelos anos e o peso dos fardos 
bons ou ruins. 
(Carreguei muitos com gosto e alguns com rebeldia.) 
O que te posso dar é mais que tudo 
o que perdi: dou-te os meus ganhos. 
A maturidade que consegue rir 
quando em outros tempos choraria, 
busca te agradar 
quando antigamente quereria 
apenas ser amada. 
Posso dar-te muito mais do que beleza 
e juventude agora: esses dourados anos 
me ensinaram a amar melhor, com mais paciência 
e não menos ardor, a entender-te 
se precisas, a aguardar-te quando vais, 
a dar-te regaço de amante e colo de amiga, 
e sobretudo força — que vem do aprendizado. 
Isso posso te dar: um mar antigo e confiável 
cujas marés — mesmo se fogem — retornam, 
cujas correntes ocultas não levam destroços 
mas o sonho interminável das sereias. 

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